Primeiro existia a música, eu tinha 11 ou 12 anos e começava a ouvir música. Desta relação com a música surgiram outras relações, que seguiram gerando transformações ao longo da minha vida, como a literatura, o cinema, a poesia, as artes visuais, a psicologia, a filosofia, os amigos...
Quando vi pela primeira vez uma reprodução do Van Gogh o Renato Russo já havia me falado, quando lí uma biografia de Rimbaud foi porque a música Joquim do Vitor Ramil me anunciara de antemão o poeta, quando fui saber quem era Freud já conhecia o nome da música Chão de Giz de Zé Ramalho e assim por diante. Sempre a música me mostrando coisas e dentre elas as capas de discos sempre me falaram muito.
Quando tinha 16 anos pintei em uma parede do meu quarto a capa do disco The Wall do Pink Floyd. Achava as capas do pink floyd bárbaras, as do yes fantásticas, as dos stones que haviam saído das mãos de Andy Warhol incríveis... Capas e mais capas, o albúm branco dos Beatles, o disco da banana do Velvet Underground, o Sinal Fechado do Chico, as capas dos Mutantes, o albúm branco do Caetano... Designs que eu na época nem sabia que era design, cheios de valores, de memória, de infinda criatividade.
O tempo foi passando, e chegou o momento em que devia saber o que fazer da vida, vestibulares para direito (foi uma sorte ter dado azar nesse vestibular e eu nem sabia) e para história. Acabei indo parar no extinto Curso de Desenho Industrial da também extinta ETFPel e meio sem querer descobri que tinha alguma aptidão para o design gráfico... lá conheci professores e amigos igualmente apaixonados por música (salve o grande mestre Alex Assumpção e o irmão Daniel Ávila) e fiz meus primeiros designs.
Um dia estava em casa e veio um pensamento: "se eu poder viver fazendo capas de discos e de cds serei a figura mais feliz do mundo". Pouco tempo depois surgiu uma primeira capa de cd para fazer, o CD Rota da Estrela do Cardo Peixoto (um disco muito bacana que curto ouvir frequentemente), a notícia começou a correr e vieram outras capas. Terminei o curso e fui trabalhar como designer gráfico na Editora da Universidade Federal de Pelotas e com esse trabalho vieram as capas de livros. A gente realmente deve ter cuidado quando deseja coisas, porque quase sempre o que desejamos acontece.
O tempo continuava passando e eu já não trabalhava mais na Editora da UFPel, agora era freela. Vieram outras coisas pra fazer: revistas, jornais, marcas, identidades visuais, muitos cartazes e sempre capas de livros e de cds.
Ainda nesse momento acontecem as duas coisas mais fortes da minha vida, nasce o meu filho Kim e morre meu pai pouco tempo depois. A vida é realmente mágica e como diria meu pai "morrer é tão natural como nascer, faz parte da vida".
Fui convidado pra fazer um programa de Blues na RádioCom e nas primeiras vezes que apareci na rádio vi um cartaz e comentei sobre ele... era uma cartaz feito pelo Emerson Ferreira, figura que eu encontrava frequentemente na rádio, pois ele fazia o Icônico, junto do Pablo Lisboa, antes do nosso programa (esqueci de dizer que o Estação Blues tinha produção e apresentação de Valder e Luciano Teixeira) e quando chegávamos pra fazer o Estação Blues o Emerson e o Pablo ainda estava em ação.
Uns 3 anos depois desse primeiro encontro do cartaz o Emersom foi me visitar para tratar de assuntos alheios ao design, estava terminando a faculdade de design e acabamos por firmar uma parceria para alguns trabalhos que se transformou num escritório de design chamado Nativu Design. O escritório prosperou e tem o seu devido reconhecimento, os programas na rádio não existem mais, mas a música toca quase todo tempo no escritório e muitas outras capas de livros e cds nasceram daí.
Mas como estava dizendo primeiro veio a música e depois o design e por conta disso farei nos próximos posts uma série sobre capas de cds e seus autores.
domingo, 18 de abril de 2010
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